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Brasil precisa de novo modelo para ensino médio, diz especialista

Curso profissionalizante e currículo mais amplo e flexível são as saídas encontradas por outros países para enriquecer o aprendizado

Wladmir Pinheiro e Perla Ribeiro (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 04/07/2017 17:32:25

Secretários de governo e especialistas debatem inovações no ensino (Fotos: Arisson Marinho)

Em qualquer escola brasileira, seja nas grandes cidades ou no interior do país, a grade curricular do ensino médio é o mesmo: 13 disciplinas divididas em aulas de 50 minutos, em que na maior parte das vezes o professor explica o assunto para alunos sentados em carteiras.

Para Priscila Cruz, diretora executiva do Movimento Todos Pela Educação, o modelo brasileiro de formar os estudantes brasileiros está defasado e retrata ainda a mesma estrutura do século 19.

“Qualquer país do mundo vai ter um projeto de ensino médio diversificado. Seja por áreas, em que permite ao aluno escolher quais as disciplinas ele quer cursar, que oferece disciplinas obrigatórias e optativas, onde o aluno pode escolher seguir mais pela área de humanas ou de exatas, ou se quer fazer um ensino médio mais profissionalizante”, defende.

Segundo Priscila, o Brasil tem de abandonar o modelo fechado voltado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todos os especialistas foram unânimes: é preciso melhorar a qualidade do ensino básico, o fundamental, para corrigir os erros ainda na origem. Mas, sem a modernização do ensino médio, a formação do capital humano brasileiro fica ultrapassada.

A mudança no formato, defende Priscila, pode tornar o aprendizado mais estimulante, evitando a evasão escolar e a baixa qualidade no ensino. “Apenas 9% de alunos do ensino médio têm aprendizagem adequada ao seu ano. É preciso conhecimento diversificado e complementar. Alguém tem alguma dúvida que a escola vai mudar?”, afirma.

Osvaldo Barreto, secretário estadual de Educação

Segundo o secretário de Educação da Bahia, Osvaldo Barreto, o estado tem cinco eixos para transformar a educação no estado: a colaboração entre estado e municípios, o fortalecimento da educação básica, a educação profissional, a integração família-escola e outras parcerias.

Osvaldo Barreto disse ainda que a secretaria tem investido em aumentar o acesso ao ensino médio, com a inclusão de estudantes da zona rural. “Existe uma necessidade de se reestruturar o ensino médio. O primeiro passo para isso foi dado com o acesso à informação em relação sobre as escolas”,diz, lembrando que até 2011 não se tinha acesso às notas dos alunos.

Fernando Veloso, PhD em Economia pela Universidade de Chicago, concorda com a mudança no ensino médio. “Hoje, é muito voltado para um modelo antigo de absorção de conhecimento, de decorar. É preciso capacitar as pessoas a transitarem em diferentes ocupações”, pondera.

O ensino profissionalizante é um caminho. Luis Breda Mascarenhas, diretor regional do Senai, moderador do debate do seminário, também defende a valorização. “Nosso sistema de formação profissional é referência”, afirma.

Exemplos mundiais

*Técnico - Em países como França, Alemanha e Suíça, o ensino técnico concentra grande parte dos estudantes. Ao contrário do Brasil, onde esse ensino é tratado como se fosse de segundo nível, acredita Priscila Cruz.

*Nova referência - Apesar de muitos creditarem à Alemanha, a Suíça é referência atualmente em educação profissional no mundo, garante Priscila. “Lá, existe uma corresponsabilidade das empresas em conjunto com o governo para garantir a educação dos jovens”, diz.

*Grande maioria - Em sua palestra, a diretora do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, mostrou que, na Suíça, 60% dos estudantes estão no ensino profissionalizante, enquanto os demais nas universidades. “Eles são bem valorizados, não há diferenciação. A Suíça tem a segunda maior renda per capita da Europa”, diz.

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