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Fãs de games estão dispostos a viajar para acompanhar campeonatos

Salvador ainda precisa investir mais no turismo com foco em competições de games, mas cidade tem potencial para crescer

Donaldson Gomes e Alexandro Motta (mais@redebahia.com.br)
Atualizado em 04/07/2017 13:18:08

Campeonato ESL One, em Frankfurt, na Alemanha (Foto: Divulgação)

Há uma demanda reprimida nas competições de jogos no Brasil e os locais que se prepararem para aproveitar este momento podem colher frutos positivos, avisa o diretor de parcerias da ESL (Eletronic Sports League) Brasil, Moacyr Alves Junior.

Atualmente, acontecem seis transmissões de campeonatos online por semana, assistidas por um público de 128 milhões de pessoas no Brasil e na América Latina. É o segundo maior mercado entre o público que não fala inglês, diz.

“Entre as cidades brasileiras que despontam com potencial para o crescimento do mercado, Salvador está em destaque”, diz Moacyr. No ano passado, a capital baiana realizou um fórum sobre o esporte eletrônico. “Existem 1,3 mil competidores em Salvador. O vice-campeão mundial é baiano”, destaca.

“Por trás deste mercado virtual, existe um grande mercado real”, aponta. São pessoas dispostas a pagar caro para se deslocar até os locais de competição, para competir ou só para assistir. “A verdade é que a competição tem um poder de atração muito grande sobre as pessoas. Sempre que existe uma disputa envolvida, as pessoas não deixam de medir esforços para vencer. É isso o que movimenta o nosso mercado”, diz.

Moacyr Júnior diz que Salvador tem potencial para turismo de games (Foto: Evandro Veiga / CORREIO)

“O Brasil só precisa ficar atento ao timming do mercado”, acredita o diretor da ESL Brasil. Ele lembra do exemplo da cidade polonesa de Katowice, que utiliza as competições de jogos eletrônicos para atrair turistas de todo o mundo para lá. “Tudo o que a prefeitura de Katowice fez foi criar um ambiente de negócios atrativo para que a cidade fosse escolhida”, lembra.

No caso de lá, foram concedidas isenções de impostos, uma área para receber os jogos e um auxílio de 1,6 milhão de euros. “O retorno foi uma movimentação de 6 milhões de euros na economia do local”, lembra.

Dicas para Salvador deslanchar no turismo de games:

*MARKETING. Uma máxima do turismo, que pode ser estendida para o mundo dos negócios de modo geral, é a de que quem não é visto não é lembrado. Um conselho de Moacyr Alves para quem trabalha com turismo na Bahia é o investimento em marketing. “Existem lugares no mundo que não têm metade dos atrativos daqui e são mais vistos porque investem em marketing”, afirma.

*INCENTIVOS. A oferta de incentivos para a atração de eventos traz retorno, garante o diretor da ESL Brasil. Segundo ele, o município polonês de Katowice investiu 1,6 milhão de euros, além de conceder incentivos fiscais e oferecer o local do evento, para atrair um evento de jogos eletrônicos e alcançou uma movimentação financeira de 6 milhões de euros no período em que foi realizada a competição.

*SEM PRECONCEITO. A imagem das competições como uma grande brincadeira é apontada como grande empecilho para o desenvolvimento do turismo de games. “Para ganhar espaço no mercado é necessário modificar a cultura e levar as competições tão a sério quanto levam os competidores”, avisa Moacyr Alves. “Não existe nada melhor do que o dinheiro para ajudar pessoas a superarem os seus preconceitos. E este mercado movimenta muito dinheiro”, diz.

*RODADAS DE NEGÓCIOS. Os ganhos com o mercado de turismo podem ser ampliados a partir da integração de negócios na cadeia produtiva. Em outros lugares do mundo, a prática é comum e ajuda na estruturação da cadeia de serviços e na escolha dos melhores fornecedores disponíveis, o que contribui para a elevação no nível do evento. “Infelizmente, existem outros lugares no mundo que estão muito à frente do Brasil”, diz.

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