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São Paulo cria espaços de convivência em áreas de estacionamento

Projeto dos parklets começou nos Estados Unidos e hoje já ocupa 10 pontos da capital paulista

Jorge Gauthier (jorge.souza@redebahia.com.br)
Atualizado em 11/07/2017 14:47:27

No lugar de 40 carros estacionados entram 400 pessoas curtindo o clima urbano em áreas de convivência no asfalto. A maior metrópole do Brasil, São Paulo, está passando por um movimento de transformação através de projeto chamado parklets. Foi a primeira cidade da América Latina a instalar o projeto que teve início em São Francisco com objetivo de criar mini praças, de 10 x 2,2 metros, no lugar de duas vagas de estacionamento.

Prefeitura de São Paulo instalou 10 parklets na capital paulista (Fotos: Divulgação)

“Hoje já são 10 e até o final do ano teremos mais 20 Parklets em São Paulo. A receptividade tem sido muito boa. As pessoas estão usando esse espaço que era restrito para os carros”, disse Lincoln Paiva, consultor internacional de mobilidade urbana e desenvolvimento sustentável. “Os carros tiraram os   espaços das pessoas. Quando se compra um carro não significa que você ganhou uma vaga de estacionamento na rua”, argumenta Lincon.

Pesquisa realizada pela George Washington University, apresentada por Lincoln Paiva em sua palestra, indica que as melhores cidades para viver nos EUA são aquelas que tem maior índice de WalkUp – os chamados pontos caminháveis.

Desenvolvimento

Pesquisadores identificaram e estudaram 558 pontos nos EUA, sendo 66 em Nova York. Esses pontos são os locais de onde é possível fazer o deslocamento sem a necessidade de usar transporte público. Nessa área, de acordo com o levantamento, concentra 48% de tudo o que é produzido naquela região. “O urbanismo caminhável trabalha em sinergia com o desenvolvimento”, alerta o consultor.

Mudando a cara das cidades

Trem é o transporte público mais usado em Freiburg, na Alemanha

*Três mil km de transporte público. Em Freiburg, na Alemanha, 70% da população vive perto de estações de trem, que são o meio de transporte público mais usado para longas distâncias. Lá, não tem metrô. Mas bondes e ônibus com faixas exclusivas. Bilhete único permite utilizar trens e bondes por cerca de 3 mil quilômetros da cidade. “É muito comum que as pessoas sigam de bicicleta até uma estação e peguem o trem para ir trabalhar no centro da cidade”, afirma Steffen Ries

*Ecobairro no lugar de região industrial. O bairro de Hammarby Sjöstad, em Estocolmo, era considerado uma área industrial degradada. A prefeitura decidiu recuperar a região e construiu às margens do lago Hammarby Sjö, modelo referência em sustentabilidade para o mundo. O ecobairro conta com uma rede de transporte público e gestão sustentável dos resíduos sólidos. Houve redução no consumo de água e energia. As águas do lago são próprias para banho e perfeitas para um mergulho.

*Bicicletas por todos os lados. As ciclovias de Freiburg foram até alargadas para as bicicletas, de acordo com o especialista Steffen Ries. “Isso torna o trânsito mais lento para carros e faz com que as pessoas pensem em outras alternativas, como ir de bicicleta ou a pé. Outras ruas são exclusivas para bicicletas”, diz o alemão. A meta de Freiburg é aumentar ainda mais o espaço das bikes pelas ruas e diminuir o dos carros. O bairro de Vauban, com cinco mil habitantes, é uma referência nesse transporte

*Túneis e pontes exclusivas para ciclistas. Na cidade em que há mais bicicletas do que carros, foi preciso investir na infraestrutura para esse modal, de acordo com o especialista alemão Steffen Ries. Para que a bike se torne o principal meio de transporte da região, novos investimentos estão sendo feitos.  Novos túneis e pontes exclusivas para bicicletas serão construídos. “Em algumas pontes, passam 10 mil bicicletas todos os dias”, revela Steffen Ries, da Innovation Academy in Freiburg.

*Áreas mais produtivas. Pesquisa realizada pela George Washington University revela que as melhores cidades para viver nos EUA são aquelas que têm maior índice de WalkUp. Especialistas identificaram e estudaram 558 chamados pontos caminháveis nos EUA – sendo 66 em Nova York. Esses pontos marcam as distâncias que são possíveis de serem percorridos sem o uso de transporte. As áreas caminháveis, segundo a pesquisa, são mais produtivas.

Em Afuá, na ilha do Marajó (Pará), com proibição de carros, cidadãos circulam a pé ou bicicleta

*Recuperação do solo e energia sustentável.  Além de Hammarby Sjöstad, em Estocolmo, outra região industrial da Suécia virou ecobairro: Western Harbour, em Malmö. No Distrito Sustentável do Porto Oeste ou Bo01 projetaram modelo de desenvolvimento urbano-ambiental para a transformação do lugar. O primeiro passo foi recuperar o solo contaminado. Cerca de 600 moradias foram construídas, além da instalação de geradores eólicos e painéis para energia solar.

*Mais conectados com sua cidade. Em Afuá, na ilha do Marajó, no Pará, foi proibido por lei ter carro e moto. Os moradores circulam a pé ou de bicicleta e ocupam todos os espaços: brincam até no aeroporto da cidade. Apesar de viverem em uma ilha, a seis horas de barco de Macapá, eles têm uma visão mais ampla de cidade, na avaliação de Lincoln Paiva. “Eles consideram como seu espaço o mundo. Nas grandes cidades, elegemos como nosso espaço apenas a nossa casa. Quem vive isolado?”, questiona.

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