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César Romero

César Romero: Mestre da cor

Em cartaz na Caixa Cultural Salvador até o dia 3 de julho, a exposição Henri Matisse – Jazz, que apresenta 20 pranchas originais impressas com a técnica “au pochoir” realizadas, exclusivamente, para o livro Jazz, publicado em 1947. A exposição se reveste de interesse por ser Henri Matisse (1869–1954) um gênio da arte e o livro uma raridade. No Brasil estão apenas dois. As obras apresentadas pertencem ao exemplar que integra o acervo do Museu Castro Maya. A exposição tem curadoria de Anna Paola Baptista, curadora do Museu Chácara do Céu.

Henri Emile Bernoit Matisse nasceu no último dia do ano de 1869, em Le Cateau, norte da França. Era filho de um farmacêutico e comerciante de grãos, que sonhava em fazer do filho um próspero advogado. Contudo, Matisse preferiu abandonar a carreira jurídica e dedicar-se integralmente à pintura. Enquanto frequentava como ouvinte a Escola de Belas Artes, em Paris, ia ao Louvre para copiar os quadros de grandes mestres ali expostos.

Em 1941, combalido por um câncer no intestino, Matisse foi submetido a duas cirurgias, que lhe tolheram os movimentos e o deixaram em uma cadeira de rodas. Foi nesse período que passou a trabalhar mais intensamente com uma técnica que desenvolvera desde 1937: a aplicação de tinta em papel recortado, os famosos gouaches découpées, que serviriam para ilustrar seu livro Jazz, de 1947.  O livro foi veiculado em uma edição limitada, contendo reproduções de colagens coloridas, acompanhadas por pensamentos escritos do artista.

O artista já havia utilizado os papiers collés para o estudo da obra La Danse (1909), mas foi a cumplicidade do editor e crítico Tériade que o incentivou a realizar um livro de arte só com papéis colados, trabalho que mais tarde foi considerado como uma de suas obras mais importantes.

Durante os primeiros dois anos de trabalho, Matisse experimentou cores e formas, utilizando folhas de papel que eram coloridas com vivas e brilhantes cores de guache. Recortava até atingir o resultado que pretendia. O processo de edição do livro se iniciou em 1942 e durou cinco anos. O título foi definido em 1944 e a ideia de incluir textos só surgiu em 1946.

As imagens variam da abstração a figuras de grande vivacidade, mescladas a um texto manuscrito impresso em fac-símile no qual Matisse teceu observações sobre assuntos diversos. O próprio autor esclareceu que a composição aborda assuntos ligados ao circo, contos populares e viagens, com ritmo identificável aos sons de uma orquestra de jazz.

Por meio de grande simplicidade, Matisse atingiu com Jazz uma enorme complexidade, grande pureza das formas, da linha e das cores. Em termos de pintura foi o mais importante e revolucionário artista do século XX. Libertou a cor do caráter naturalista.  “Quando pinto um azul não quer dizer céu”, sintetizava. Matisse vivia atormentado pela depressão e precária saúde. Passava tempos sem pintar, o que lhe angustiava. Sua cor era viva, brilhante, luminosa, transmitia uma profunda admiração pela vida. Suas telas da Fase de Nice, na Riviera Francesa (1917 a 1954) trouxeram-lhe o encontro definitivo com a cor. Uma cor pensada, mais elaborada do que seu período fauvista. Matisse é muito melhor pintor que Picassso - a ponto de Picasso ter tido em seu ateliê quadros de Matisse. O diferencial era um Picasso inventor de linguagem, destemido e extremamente produtivo, não se importava em absorver a Cézanne, precursor da pintura moderna e do cubismo, a bifrontalidade egípcia e os legados que Matisse lhe deu, máscaras africanas, as pombas e as odaliscas, que pesquisara no Marrocos. Picasso era 12 anos mais moço que Matisse.

Matisse era um homem que estava sempre na busca da superação: começou a pintar tardiamente, inseguro, deprimido, extremamente lento no seu fazer, mas com poderoso senso de observação, pesquisa e inquebrantável persistência. O sucesso tardou e enfim conquistado se tornou uma referência no mundo da arte.

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