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César Romero

Cesar Romero: Mestres no Éden

Cesar Romero (crc.romero@hotmail.com)
Atualizado em 02/10/2016 08:34:43

Semana passada dois falecimentos entristeceram a vida cultural baiana. Ficamos todos um pouco esvaziados, com menos poder de informação. A convivência com a obra dos dois nos brindava com ensinamentos e pontos de vistas bem pessoais que nos instigavam a pensar, a refletir sobre nosso momento contemporâneo vivido pela arte em dias atuais. Dois nomes: Aldo Trípodi (foto) e Renato Viana, duas trajetórias bem construídas e de final hamártico. Não existe destino, uma solução mágica para o passar dos dias. Existem escolhas conscientes ou não que no caminho da vida nos leva a algum lugar. A vontade tem que ser exercida todos os dias, para que a inércia não se ocupe do corpo, das ideias, do fazer. Vontade também não é magia ou milagre é o que nos impulsiona, para realizações. A dialética se encerra na morte, e a vontade se transfigura no nada.

Aldo Trípodi foi crítico de arte, prof. mestre em Teoria e História da Arte EBA/Ufba, prof. de Arte – Educação na Universidade Estadual da Bahia. Trabalhou na Ucsal e Unifacs, além do Colégio Pan-Americano. Sempre esteve preocupado com sua formação, sempre um bom professor, que estimula seus alunos a conhecer especialmente os artistas baianos. Dizia que os artistas consagrados já teriam sido muito estudados e também garantido seu espaço no cenário da arte brasileira. Defendia os baianos, “os nossos”, como costumava falar. Tinha uma coluna semanal sobre artes visuais no jornal Tribuna da Bahia, quando divulgava acontecimentos ligados a cultura, artistas e suas produções, por quase 30 anos.

Aldo Trípodi sempre de fácil acesso, afetivo, participava dos eventos culturais da cidade, membro de júri de vários salões de arte e sempre presente nos vernissages dos artistas. Era do bem.

O outro artista Renato Viana, era amigo do mestre Juarez Paraíso, que fez um texto de despedida. Resolvemos abrir espaço na coluna para reproduzir com exclusividade homenagem tão tocante e merecedora.

Sobre Renato Viana pode-se dizer que era  um artista completo.  A sua habilidade para solucionar problemas materiais relativos às artes plásticas é impressionante.  Na área da construção e montagem de objetos, por exemplo, Renato Viana é insuperável.

Durante muitos anos foi o meu impressor e na área da gravura desenvolvemos inovações bastante oportunas. Trabalhamos também com esculturas e na decoração de ambientes externos e o seu nome já fazia parte da história do Carnaval baiano.

Renato Viana foi professor de escultura, gravura em metal, água-forte e água-tinta, da Oficina de Expressão Plástica do Museu de Arte Moderna da Bahia, de 1980 a 1991. Felizmente para as novas gerações de decoradores, artistas plásticos, professores de desenho e programadores visuais, Renato Viana foi professor da Escola de Belas Artes da Ufba, onde, com extrema competência, foi responsável pela regência de várias disciplinas. Renato Viana foi um dos melhores alunos da EBA e a sua vocação para o ensino foi revelada desde 1974, com o exercício da Monitoria de Desenho Artístico.  Depois de ter realizado vários cursos de extensão, em 1991, foi professor substituto e, finalmente, em 1992, prestou concurso de professor auxiliar. A sua presença como professor contribuiu para a atualização do ensino das artes plásticas na Bahia e foi o responsável pela introdução do emprego da fibra de vidro na EBA. A sua experiência é bastante diversificada na área das artes plásticas, sendo proeminente sua produção de gravuras, desenhos, esculturas e decoração de exteriores. As suas xilogravuras são caracteristicamente carregadas de texturas e de forte impacto visual. Desenvolve uma figuração moderna, sendo o espaço modulado em duas dimensões, ao contrário da sua pintura a óleo que se apresenta com tendências para o hiper-realismo, com forte destaque de ilusão tridimensional para os detalhes, onde, com expressiva habilidade, as texturas visuais são criadas com ilusão fotográfica.

*Cesar Romero é artista plástico e crítico de arte ABCA-AICA

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