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César Romero

César Romero: Mulheres e revelações

No Museu de Arte da Bahia, Corredor da Vitória, a exposição Artes Visuais na Bahia: A Produção da Mulher na Contemporaneidade, uma coletiva com curadoria de Nanci Novais, até 30 de agosto.

Uma grande questão até hoje, inexplicável é por que o universo das artes visuais é quase totalmente masculino? Desde sempre tem sido assim e isso não traz nenhuma vantagem. Essa constatação lida com muitas incertezas. Formulação concreta, plausível de entendimento, não existe. O machismo é o comportamento de quem não aceita a igualdade de direitos para o homem e a mulher, caberia neste caso?

Comenta-se que a intuição, as minúcias, os cuidados artesanais são atributos mais femininos que masculinos. Pincéis, telas, tintas, diluentes não são ferramentas de difícil manejo. Insiste-se por que na História da Arte a mulher não se impôs como criadora? Ao longo do tempo, algumas deixaram uma importante contribuição como Sonia Delaunay, Maria Helena Vieira da Silva, Amélia Peláez, Frida Kahlo, Paula Rego. Pouquíssimas. Outras existiram, mas com frágil presença como Artemísia Gentileschi, Mary Cossat, Margaret Keane, Tamara de Lempicka e Leonora Carrington. Nos anos 1950, surgiram muitas mulheres que começaram a pintar, mas foi a partir de 1960 que elas se impuseram na criatividade, com importantes contribuições às artes visuais, apoio da crítica e aceitação no mercado de arte.

O diretor do Museu de Arte da Bahia, Pedro Arcanjo, convidou a professora Nanci Novais, diretora da Escola de Belas Artes, para realizar a curadoria.

A exposição tem montagem extremamente cuidadosa, pensada para dar melhor visibilidade a cada trabalho. A iluminação é adequada e as fichas catalográficas bem postas. A exposição coletiva Artes Visuais na Bahia: A Produção da Mulher na Contemporaneidade reúne 25 mulheres artistas visuais, pesquisadoras, que marcam presença no cenário artístico da Bahia contemporânea pela produção ininterrupta em décadas, desenvolvendo pesquisas, aprimorando técnicas e sistematizando o processo criativo.

A mostra, além de integrar as celebrações dos 70 Anos da Universidade Federal da Bahia, pois todas as artistas participantes têm formação acadêmica pela Escola de Belas Artes desta instituição, a Alma Mater Universitária, objetiva também dar visibilidade à produção atual da mulher no campo das artes visuais na Bahia, do papel da sua arte na sociedade e do seu comprometimento e contínua presença no contexto cultural do país.

A estas artistas interessa objetivar suas experiências de mundo, transformando fluxo de momentos em algo visual, textual, abarcando os rituais, o cotidiano, objetos encontrados, a natureza, a realidade e a ficção, algo sobre o tempo, o corpo, o espaço... Arte e vida nesta exposição  nos entrelaçam os mais variados temas e procedimentos poéticos, convidando-nos assim à fruição e à reflexão.

Participam da coletiva trabalhos das artistas Beth Souza, Daniela Steelle, Celeste Wanner, Célia Mallett, Conceição Fernandes, Edsoleda Santos, Eneida Sanches, Giovana Dantas, Graça Ramos, Ieda Oliveira, Ledna Barbeitos, Ludmila Pimentel, Márcia Magno, Maria Adair, Maria Luedy, Maristela Ribeiro, Mili Genestreti, Nancy Novais, Rogéria Maciel, Sonia Rangel, Terezinha Dumet, Tinna Pimentel, Viga Gordilho e Ziunar Souza.

Outra importância da exposição é apresentar trabalhos de artistas que não são conhecidos do grande público, e  sim da Escola de Belas Artes. Este sair do ninho é extremamente saudável para todos, especialmente pelo cuidado com que foi feito o evento e pelo profissionalismo e revelação. A arte é feita para ser vista, consumida e  testemunhar seu tempo.

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