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César Romero

César Romero: Vida em trânsito

César Romero

Em cartaz na Caixa Cultural Salvador, a exposição Êxodos de Sebastião Salgado até 21 de agosto. Uma exposição de fôlego com 60 imagens que retratam pessoas que fogem de sua terra natal contra a própria vontade. Deixar para trás seu torrão, fugir das raízes é em si um desespero e para onde vá, por melhor que seja a vida, a saudade se torna elemento superior. Voltar em outras circunstâncias é um sonho maior. Deixa-se para trás os perfumes do chão, os sabores da terra, os sons que invadem todo corpo, o apalpar de outros corpos e coisas e a energia luminosa trazendo informação das imagens tão sagradas, da energia circundante da vida.

Os migrantes, os refugiados são compelidos para sobreviver, fugir de forças que não podem controlar: fome, repressão e guerras. Voltar e abrir-se em risos, observar as mudanças dos lugares é a conduta humana mais próspera. Não pode haver tanta diferença no mundo, nascemos para a felicidade.

Para chegar ao resultado de Êxodos, o fotógrafo viajou durante seis anos, por 40 países, para mostrar a humanidade em trânsito, provocando em cada um de nós reflexões sobre a liberdade, as questões políticas, sociais e econômicas que obrigaram cada indivíduo a deixar o lugar onde nasceu.

Na mostra, o visitante poderá conferir as fotografias divididas em cinco temas centrais: África, Luta pela Terra, Refugiados e Migrados, Megacidades e Retratos de Crianças. São imagens impactantes que retratam a fuga de migrantes, refugiados e pessoas deslocadas em diferentes pontos do mundo. A tragédia sem paralelo da África, o êxodo rural, o conflito de terras e a urbanização caótica na América Latina são imagens das novas megalópoles asiáticas e em cada uma dessas situações extremas, o registro daquelas que mesmo envoltas no caos, mantêm viva a chama da esperança e da dignidade humana: as crianças.

Esses migrantes estão sempre constrangidos, por forças que não podem controlar. Viajam sozinhos, com as famílias ou em grupos. Algumas sabem para onde estão indo, no sonho que encontrarão uma vida melhor. Outros apenas em fuga, aliviados por estarem vivos e muitos não conseguirão chegar a lugar nenhum. 

Em suas viagens para acompanhar a “humanidade em trânsito”, Sebastião Salgado sempre encontrou bandos de crianças, todas elas loucas para serem fotografadas. Ele escreve na introdução: “Em toda situação de crise as crianças são as maiores vítimas. Mais fracas fisicamente, são sempre as primeiras a sucumbir à fome ou à doença. Emocionalmente vulneráveis, não têm condições de compreender por que estão sendo expulsas de suas casas isentas de responsabilidade pelos próprios destinos; são, por definição, inocentes”. Retratos de crianças do êxodo é, na verdade, o registro fotográfico de uma pergunta: como é possível uma criança sorridente representar o infortúnio mais profundo?

Sebastião Ribeiro Salgado nasceu em Aimorés (MG), em 8 de fevereiro de 1944. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Em 1969 transferiu-se para Paris e escreveu uma tese em ciências econômicas.

Mudou-se para Londres e trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café. Em suas viagens para a África a trabalho fez sua primeira sessão de fotos com a câmera Leica de sua esposa. Fotografar o impressionou tanto que se tornou fotógrafo independente em 1973, como fotojornalista. Daí ganhou o mundo tornando-se uma referência.

O projeto Êxodos é do ano 2000 e foi aclamado internacionalmente. Na introdução do livro Êxodos, Salgado escreveu: “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferentes cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes”.

Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, ele mostra um conjunto na Caixa Cultural Salvador que testemunha a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo que protesta contra a violação dessa dignidade.

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