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Darino Sena

Darino Sena: Obrigado, Cajá!

Darino Sena (darino.sena@gmail.com)

É isso mesmo que você viu no título, amigo leitor. Estou agradecendo a Renato Cajá. Os demais tricolores deveriam fazer o mesmo. Mas, por quê? Se o meia foi contratado a peso de ouro, nunca foi titular absoluto, se recusou a entrar em campo na derradeira partida pelo clube e ainda saiu batendo boca com os torcedores? Por que a torcida deveria ter gratidão?

Justamente pelo ato de indisciplina que levou à sua saída do Fazendão. Não tivesse dado chilique, Renato Cajá continuaria por aqui, talvez, até o final do ano. Ganhando muito e rendendo pouco. Sua saída, ao menos em tese, abre vaga no orçamento pra alguém que ganhe tanto, mas justifique o investimento. Não foi o caso do antigo camisa 10.

A rescisão de Cajá foi um acerto da diretoria tricolor. Nenhum jogador tem o direito de se recusar a entrar em campo quando chamado pelo técnico. Não importa se falta pouco tempo pra acabar a partida. A atitude de Cajá foi um desrespeito à comissão técnica, aos companheiros e, principalmente, à instituição Esporte Clube Bahia e sua torcida. Não foi uma atitude tolerável. Ninguém é maior que o clube.

Não foi a primeira vez que Cajá causou polêmica numa substituição por aqui. Em 2013, pelo Vitória, foi vaiado ao sair de campo no Barradão e ficou debochando do torcedor rubro-negro, com risos e aplausos.

Se a demissão por parte dos cartolas tricolores foi um acerto, a contratação de Cajá não foi. Não pelo que Cajá deixou de jogar por aqui. Falar em erro agora, com o fato consumado, é fácil. Falo pelas circunstâncias em que se deram a contratação, no ano passado.

Cajá é um jogador em extinção no futebol moderno. Só joga do meio pra frente e não marca. Num mundo onde exige-se muito mais dinâmica dos meio-campistas, ele espera a bola no pé pra resolver. Ou tentar. O Cajá do Bahia não resolveu como se esperava e teve poucos lampejos, como o gol salvador da vitória sobre o Bragantino, que garantiu o acesso.

Até entendo a utilidade de um jogador como Cajá no contexto de uma Série B, onde o nível técnico é inferior. Mas assinar contrato de um ano e meio com alguém com as características técnicas e físicas dele, aos 32 anos, ganhando R$ 300 mil, não dá pra entender. Até que ele chegasse a ganhar essa quantia, mas provando, em campo, que merecia, num acordo de produtividade por partidas jogadas, gols e assistências, por exemplo.

Cajá ganhava no Bahia mais que Borja, colombiano campeão da Libertadores ano passado pelo Nacional-COL, que hoje ganha a cifra no Campeão Brasileiro Palmeiras. Acredite.

Essa falta de critério em contratações como as de Cajá explicam porque a gestão de futebol ainda é o grande calo da era Marcelo Sant'Ana. E porque, a menos de dois meses do campeonato brasileiro começar, o Bahia ainda não tem um time confiável pra disputar a competição mais importante do país.

FROUXOS
Os dirigentes dos clubes brasileiros são covardes e omissos, sem exceção. Aceitaram passivamente a mudança de estatuto que dá mais poder às Federações Estaduais nas eleições pra escolha do mandatário da CBF. Nenhum cartola de clube deu as caras pra se manifestar contrariamente à decisão. Nenhum.

A omissão dos presidentes de clubes é uma das causas da quase eterna crise administrativa do nosso futebol. Sem a mobilização deles, a organização do esporte no país permanece na mão dos mesmos cartolas há anos. Enquanto os clubes não se unirem e não tiverem coragem pra bater de frente com Federações e a CBF, o futebol brasileiro e seu torcedor continuarão reféns de um calendário esdruxulo, que tolera a realização de jogos desnecessários e de nível risível como o xoxo empate sem gols entre Flamengo de Guanambi e reservas do Bahia, domingo, pelo glorioso Campeonato Baiano.

Darino Sena é jornalista e escreve às terças-feiras

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