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Darino Sena

Darino Sena: Vitória mostrou que tem um time melhor que o Bahia

(darino.sena@gmail.com)

O primeiro Ba-Vi do ano mostrou que o Vitória tem, de fato, melhores jogadores que o Bahia. A diferença técnica definiu o clássico. O tricolor começou melhor taticamente. Marcou em cima e deixou o rubro-negro sem opções de saída pro ataque. Com as laterais bloqueadas e o meio inoperante, o visitante tinha que apelar constantemente pros chutões. A outra única opção pra passar do meio de campo eram as arrancadas do garoto David, o destaque do Leão no primeiro tempo.

Bahia marcava bem, mas ofereceu pouquíssimo perigo pra Fernando Miguel. Com Régis em tarde nada inspirada e pouca aproximação entre os jogadores de frente, faltaram triangulações, passes agudos, dribles e, consequentemente, oportunidades de gol. O primeiro chute no alvo veio só aos 36 minutos, mesmo assim, numa cobrança de falta de Juninho.

Aos 44 minutos, a maior qualidade técnica do Vitória começou a decidir. Em jogada pessoal, Gabriel Xavier invadiu a área, passou por dois, e bagunçou a defesa do Bahia no lance que terminaria com o gol de Cleiton Xavier. Quatro minutos depois, a batida com efeito de Patric em escanteio encontrou o voo espetacular de Kanu que, de cabeça, ampliou. Foi também um dos poucos méritos de Argel no jogo – a bola parada é uma das virtudes das equipes comandadas por ele. Com o Vitória, não tem sido diferente.

Critico Argel porque esperava muito mais do Vitória quando o Bahia ficou com um a menos, depois que Tiago meteu o cotovelo na cara de André Lima. Pode-se alegar que Jaílson Freitas foi rigoroso na expulsão direta, mas o capitão tricolor deu margem pra isso.

Mesmo com a expulsão, Guto não recuou. Em vez de montar uma linha média mais segura, com quatro jogadores, ariscou. Deixou só três no meio – Renê Jr., Juninho e Edgar Junio - e Régis e Hernane mais avançados.

A formação ousada do Bahia dava espaço de sobra pro Vitória controlar o jogo. Mas Argel não conseguiu organizar o time pra isso, apesar das entradas de Paulinho e Jhemerson e da mudança de posicionamento de Gabriel Xavier, que saiu da ponta e foi jogar centralizado, antes de ser sacado. Faltou uma proposta clara pra matar o jogo. O time nem recuou pra contra-atacar, nem avançou a marcação pra sufocar. Também não trocou passes pra botar o rival na roda e administrar a vantagem. Pior – levou um gol e correu risco de sofrer o empate.

O Vitória teve duas grandes chances pra fazer o terceiro, é verdade, mas nenhuma em trocas de passes ou contra-ataques – a primeira foi um rebote de cobrança de falta que Kanu aproveitou e outra uma bola mal recuada pela defesa do Bahia que Paulinho interceptou. Nos dois lances, Anderson fez excelentes defesas.

Pouco produtivo do meio pra frente, o Vitória mostrou-se vulnerável lá atrás, principalmente pela esquerda. Foi por ali, explorando o péssimo dia do lateral Geferson, que o Bahia mais incomodou com seu jogador mais agudo – Eduardo. Foi numa jogada dele que Alan Costa se atrapalhou e acabou fazendo gol contra.

A defesa do Vitória só não se complicou mais porque Kanu teve uma grande atuação. Não só por ter feito o gol, mas por ter anulado Hernane e afastado a maioria das bolas que rondou a área, foi o melhor do clássico.

O segundo tempo do Bahia foi de muito mais transpiração do que qualquer coisa. Os jogadores fizeram de tudo pra superar as limitações técnicas e compensar a expulsão de Tiago na base da raça. Diminuíram a desvantagem e lutaram pelo empate até o fim. Talvez tenham feito o máximo que podiam. Mas talvez o máximo que esse elenco pode seja menos que o Bahia precisa, sobretudo, pra uma campanha segura no Brasileirão.

O primeiro Ba-Vi do ano mostrou ao Bahia que só transpiração e raça não bastam. Talento faz falta. Mostrou também que o Vitória precisa de muito mais organização pra extrair o máximo dos bons talentos que tem.

*Darino Sena é jornalista e escreve às terças-feiras

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