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Turismo: De bate-papo com monges a mercados noturnos, Chiang Mai é a queridinha do norte da Tailândia

Capital espiritual e cultural do país, a cidade tem mais de 300 templos e opções para curtir a noite e a natureza

Verena Paranhos (verena.paranhos@redebahia.com.br)

Um arrependimento dos inesquecíveis 15 dias na Tailândia? Ter ficado tão pouco tempo em Chiang Mai. A segunda maior cidade do país, a aproximandamente 700 km da capital, Bangcoc, é lugar para descobrir sem pressa. Três noites foram pouco para tudo que a “Rosa do Norte” tem para oferecer. O sentimento se deve principalmente por ter caído na cilada de um day tour esgotante de 15 horas para a província de Chiang Rai (mais ao norte ainda). 

Além de mais de 300 templos, a capital espiritual da Tailândia tem um  centro histórico agitado, ambiente acolhedor para passear a pé, lojinhas e feiras de artesanato que vão te deixar com vontade de voltar com uma mala a mais. Sem falar do clima de montanha. Lição aprendida: se colocar Chiang Mai no roteiro, viva Chiang Mai! 

Wat Chedi Luan é um dos mais de 300 templos de Chiang Mai 
(Foto: Billycheu/Flickr/Reprodução)

Entre muros - Chiang Mai significa cidade nova e ganhou esse nome ao ser fundada, em 1.296, como capital do Reino de Lanna, sucedendo Chiang Rai. Maior cidade da província de mesmo nome, nasceu como um quadrado, cercado por muros e rodeado por um fosso. Com certeza, você vai se bater com as ruínas da muralha em qualquer passeio na cidade antiga, cuja área tem apenas 1,5 km2. 

Budismo - Os arredores de Chiang Mai têm mais de 300 templos. Caminhar pelo centro histórico é como tropeçar em mais de um deles por quarteirão. Além de casas de massagem, escolas e prédios administrativos, a área abriga muitos hotéis, pousadas e hostels. É uma vantagem hospedar-se na região, principalmente se você quer acompanhar a dinâmica dos templos. Logo cedinho, você consegue ver monges fazendo suas preces nos locais de culto. No Wat Chedi Luan dá para conversar com eles.

Transporte - A segunda maior cidade do país, com cerca de 200 mil habitantes, é muito tranquila. Na região murada, dá pra fazer tudo a pé, se guiando pelo mapa. Para atingir pontos mais distantes, você pode contratar os famosos tuk-tuks. Por lá, a experiência sai mais em conta do que em Bangcoc, mas mesmo assim é preciso chorar. Outra opção que vale abusar é o songthaew, miniônibus vermelho, que não tem parada fixa. É acenar com a mão, tentar comunicar aonde quer ir e negociar o preço. Usei do aeroporto para o hotel e paguei apenas 100 baht (R$ 10) para duas pessoas, a previsão do uber dava pelo menos o dobro.  

Parque Nacional Doi Inthanon: pagodas em homenagem aos 50 anos de reinado do Rei Bhumibol Adulyadej e da rainha Sirikit (Foto: Fedejve/Flickr/Reprodução)

Única - Se você visitar outros destinos no país vai perceber que Chiang Mai é diferente. O Reino Lanna, que mistura características da Birmânia (atual Myanmar) e da China, deixou heranças na cultura local, que também podem ser observadas na arquitetura e na decoração. Até o povo parece ter olhinhos puxados de forma diferente. Será mesmo?

À noite - A vida noturna tem muitas opções. Não deixe de visitar o Night Bazaar, mercado que funciona das 18h à meia-noite, com uma grande variedade de itens. Fica fora da região murada, mas pode ser acessado a pé. Nos fins de semana, existe ainda uma feira enorme, bem no centro, o Sunday Market (Mercado de Domingo). 

Clima - Chiang Mai fica numa região montanhosa, a 700m acima do mar. No Inverno, quando o calor em Bangcoc beira o insuportável, por lá  pode bater uma brisa fresca. 

Em Chiang Rai, a cerca de três horas de Chiang Mai: Templo Branco é obra de arte com referências a ícones pop (Foto: Edgardo W Olivera/Flickr/ Divulgação)

Aprenda - Aproveite para fazer cursos de culinária tailandesa, uma das especialidades do local. São muitas opções de um turno ou mais de um dia, incluindo até visitas a fazendas orgânicas. 

Massagem - Casas de massagens são muito comuns em todo o país e baratas: uma hora custa a partir de 200 baht (R$ 20). Mas em Chiang Mai têm um sentido a mais. Não estranhe se ver placas anunciando o serviço oferecido por ex-prisioneiras. É que muitos estabelecimentos fazem parte de um programa de inclusão social e são impecáveis no atendimento e na massagem.

  • Ruínas do muro que cercava a cidade em sua fundação, no século 13 ((Foto: Tony/Flickr/Reprodução) )
  • No Night Bazaar: comida de rua é opção barata e saborosa ((Foto: Paul Arps/Flickr/Reprodução) )
  • No Night Bazaar: itens de decoração são facilmente encontrados na rua ((Foto: Christian Haugen/Flickr/Reprodução ) )
  • Songthaew: miniônibus vermelho, que não tem parada fixa. É acenar com a mão, tentar comunicar aonde quer ir e negociar o preço ((Foto: David McKelvey Flickr Reprodução) )
  • Chiang Mai tem mais de 300 templos: parte interna do Wat Chedi Luan ((Foto: Premshree Pillai/Flickr/Reprodução) )
  • Detalhe do Templo Branco, em Chiang Rai ((Foto: Edgardo W Olivera/Flickr/Reprodução))
  • Ruínas do muro que cercava a cidade em sua fundação, no século 13 ((Foto: Tony/Flickr/Reprodução) ) Ruínas do muro que cercava a cidade em sua fundação, no século 13 ((Foto: Tony/Flickr/Reprodução) )
  • No Night Bazaar: comida de rua é opção barata e saborosa ((Foto: Paul Arps/Flickr/Reprodução) ) No Night Bazaar: comida de rua é opção barata e saborosa ((Foto: Paul Arps/Flickr/Reprodução) )
  • No Night Bazaar: itens de decoração são facilmente encontrados na rua ((Foto: Christian Haugen/Flickr/Reprodução ) ) No Night Bazaar: itens de decoração são facilmente encontrados na rua ((Foto: Christian Haugen/Flickr/Reprodução ) )
  • Songthaew: miniônibus vermelho, que não tem parada fixa. É acenar com a mão, tentar comunicar aonde quer ir e negociar o preço ((Foto: David McKelvey Flickr Reprodução) ) Songthaew: miniônibus vermelho, que não tem parada fixa. É acenar com a mão, tentar comunicar aonde quer ir e negociar o preço ((Foto: David McKelvey Flickr Reprodução) )
  • Chiang Mai tem mais de 300 templos: parte interna do Wat Chedi Luan ((Foto: Premshree Pillai/Flickr/Reprodução) ) Chiang Mai tem mais de 300 templos: parte interna do Wat Chedi Luan ((Foto: Premshree Pillai/Flickr/Reprodução) )
  • Detalhe do Templo Branco, em Chiang Rai ((Foto: Edgardo W Olivera/Flickr/Reprodução)) Detalhe do Templo Branco, em Chiang Rai ((Foto: Edgardo W Olivera/Flickr/Reprodução))

Passeios - Na província de Chiang Mai, dá para fazer inúmeros passeios: de tracking a parques com elefantes ou tigres. Para conhecer a natureza da região, recomendo o day tour para o Parque Nacional Doi Inthanon (aprox. 1.200 baht, com refeição). O parque fica a 60 km da capital e abriga a montanha mais alta da Tailândia (a 2.565 m acima do nível do mar). No ca- minho, paradas para ver duas cachoeiras e compras em comunidades rurais que produzem frutas, chás e café. As pagodas em homenagem aos 50 anos de reinado do Rei Bhumibol Adulyadej e da Rainha Sirikit são o destaque do passeio: com o tempo aberto, parece até quadro pintado à mão. Os mais atléticos exploram o parque de bicicleta. Também dá para fazer o passeio de moto alugada facilmente (200 baht a diária ou R$ 20) e até passar a noite na reserva em barracas de camping ou bangalôs típicos.

Indico, mas não indico - Outro day tour muito oferecido em Chiang Mai é para conhecer o Templo Branco (Wat Rong Khun), a cerca de três horas, em Chiang Rai, capital da província de mesmo nome. O projeto do artista Chalermchai Kositpipat foi inaugurado em 1997 e, muito mais do que um templo, é uma verdadeira obra de arte contemporânea: nas paredes, imagens de ícones pops da cultura ocidental, como Michael Jackson, Batman e Darth Vader. Os passeios de agências incluem muitas paradas (cerca de 2.000 baht ou R$ 200), em um roteiro que pode durar 15 horas. Entre os pontos visitados, a tribo Karen Hill (das famosas mulheres-girafas); o exótico museu Black House, criado pelo artista Thawan Duchanee; e o Triângulo Dourado, fronteira da Tailândia com Myanmar e Laos, com direito a passeio de barco e parada de meia hora em uma ilha do Laos. Realmente, o Templo Branco é único e vale a pena entrar no seu roteiro. Mas faça diferente: vá de forma independente, alugue um carro e pare somente onde quiser ou inclua pelo menos uma noite em Chiang Rai. 

Como chegar - Partindo de Bangcoc para Chiang Mai, a viagem de ônibus custa a partir de 500 baht (R$ 50). De trem noturno, o trecho dura 13 horas e é muito elogiado (a partir de 800 baht ou R$ 80). Nas companhias aéreas low cost dá para fazer o trecho em uma hora, pagando menos de 1.500 baht (R$ 150).

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